Crônica

Respirando Turismo

respirando turismoA cidade de Avaré do Século XXII descobriu finalmente sua vocação de ser um polo de atração de turistas devido ao seu alto grau de cidadania e de respeito à vida e à Natureza. Foi-se embora a ilusão do título de “estância”, que jamais saiu do papel e que, em termos práticos, de nada servia. Hoje, o povo avareense aprendeu que se deve explorar o Turismo e não o turista. Sabemos agora que uma cidade boa para se visitar é aquela cidade boa para se viver. Que o turista merece uma atenção especial, pois não conhece muitas das coisas que, para nós, são corriqueiras. Acima de tudo, entendemos finalmente que todos nós somos estrangeiros em algum lugar ou situação. Somos profundamente gratos pela oportunidade de evolução e de aprendizado que cada visitante nos proporcionou. Hoje, conhecemos o mundo através dos olhos de quem nos prestigiou com sua visita a Avaré.

Uma gestante, um cadeirante, um idoso, merecem atenção especial. Aquela pessoa que veio de longe para gastar dinheiro em Avaré e simplesmente respirar um pouco de ar puro, sentada num banco de praça, não é mais usada como alvo de artilharia, sendo perseguida com respostas duras das pessoas ou pelos carros nas ruas, ela merece ter o sossego de atravessar na faixa de pedestres sem ser considerada como um inimigo a ser abatido. Não é mais a potência do nosso carro que determina nosso grau de importância. As leis de trânsito hoje são vistas como um direito humano e tornam nossa cidade mais acolhedora e respeitosa. A cortesia em todos os nossos gestos nos isolou definitivamente da brutalidade e da selvageria do passado. Crescemos moralmente assim e queremos retribuir aos visitantes pelo enorme aprendizado que obtivemos deles.

Nós entendemos agora que nossos maiores encantos são a represa limpa e a tranquilidade de nossas ruas, que nossas praças são um lugar onde se faz higiene mental, nossa cidade inteira sabe o quanto é importante o silêncio e uma paisagem bonita, para se fazer uma pausa na rotina louca do que o mundo moderno chama de “vida” e nós entendemos agora o quanto um visitante aprecia ouvir a passarada, que ele não ouve na cidade dele. Avaré não precisa mais recolher montanhas de latas e garrafas vazias, pois nós aprendemos a meditar sem álcool.

Isso tudo aconteceu depois que nós amargamos um grande desemprego e que percebemos que precisávamos repensar nossa sociedade toda, se quiséssemos atrair turistas. Nosso humor melhorou, nossa forma de ver os visitantes se tornou mais cristã, já não pensamos mais nos turistas como alienígenas, gente que vem “de fora” e que só traz problemas. Essa gente tem nome, tem rosto, tem família. Não são estranhos, são amigos que nós ainda não havíamos conhecido e que apreciam ser tratados com gentileza, gerando mais gentileza. Somos todos irmãos, queremos as mesmas coisas boas, sofremos as mesmas dores. Turistas e avareenses foram criados pelo mesmo Deus e quanto tempo nós levamos para entender isso!

Em Avaré, a maior rede social foi recriada quando as pessoas voltaram a se olhar nos olhos, esquecendo os equipamentos eletrônicos e conversando uns com os outros, deixando o tempo passar na velocidade que a Natureza determinou e que nos fazia felizes na época de nossa infância, das ruas de terra, das brincadeiras de amarelinha e de bolinha de gude. A Imprensa daqui deu prioridade aos assuntos do bem, deixou de ser um ringue de trocas de acusações políticas e passou a trazer notícias de cultura, de cidadania, gente que se destaca por seus atos praticados com requintes de caridade e de amor ao próximo. Aqui, não se faz apologia ao crime e nem se julga o irmão que está do lado de lá do muro do presídio. Todos os dias, nos lembramos deles em nossas orações e condenamos o fato da necessidade de haver muros separando gente, não daqueles que tiveram um caminho diferente de nós. As muralhas nos fizeram refletir e nós ainda não sabemos quem é que está do lado certo delas. Isso depende do critério de julgamento e o que se chama de “liberdade”. Nós aprendemos a usar a nossa com sabedoria.

O amor cristão nos motivou a visitar nossos idosos nos asilos, adotamos todos os animais abandonados e esvaziamos as ONGs, existem filas de voluntários prontos a ajudar a quem precisa. E, quem diria, tudo isso nos foi revelado depois que passamos a levar o assunto TURISMO para todas as rodas de discussão. Em sala de aula, na Câmara Municipal, nos programas de rádio, qualquer momento se tornou bom para pensarmos em soluções, para melhorarmos como pessoas, para nos vermos como cidadãos brasileiros e para entendermos o Planeta Terra como uma gota d’água boiando no Universo. Começamos a ver a VIDA com mais respeito, enxergamos as nossas próprias deficiências, buscamos melhorar enquanto Seres Humanos e, hoje, sim, somos uma verdadeira ESTÂNCIA TURÍSTICA, na prática, no coração e não numa frase vazia. Amigo Turista: que bom que você veio visitar Avaré! Leve daqui muito mais que alguns doces, guarde nossa cidade em seu coração e volte sempre! Nosso encontro não foi por acaso, faz parte de um plano muito maior e você deixa aqui muitos amigos e saudades! Boa viagem de retorno e que seu caminho seja repleto de luz!

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